Trajetória da Indústria de Revestimentos Cerâmicos

*e-mail: [email protected] Resumo. A indústria ..... as atividades de marketing, vendas e distribuição, visto que, no mercado interno, a oferta ...

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http://dx.doi.org/10.4322/cerind.2016.019

Trajetória da Indústria de Revestimentos Cerâmicos do Sul Catarinense Ricardo Alves Colonettia* a

Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, Criciúma, SC, Brasil

*e-mail: [email protected]

Resumo A indústria cerâmica Sul Catarinense possui destaque nos mercados nacional e internacional, sendo reconhecida como polo cerâmico. Regionalmente, sua história iniciou em 1919, com a instalação da primeira fábrica. A partir da década de 1950, surgiram diversas empresas que colaboraram para que o Sul se convertesse em referência no segmento de revestimentos cerâmicos. Contudo, entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990, a indústria foi prejudicada pela crise político-econômica instaurada, necessitando reestruturar os seus processos administrativos e produtivos. Essa reestruturação setorial, por sua vez, adentrou os anos 2000. Diante disso, o objetivo deste artigo foi descrever a trajetória da indústria cerâmica de revestimentos do Sul de Santa Catarina. Palavras-chave: cerâmica, revestimentos, Santa Catarina.

1. Considerações Iniciais No Sul de Santa Catarina, a indústria cerâmica esteve entre aquelas que diversificaram a economia regional, a partir de meados da década de 19401, vindo a expandir-se, na década de 1970, devido às políticas governamentais implementadas na área de habitação. Posteriormente, após a crise do setor carbonífero, a cerâmica passou a figurar como a principal atividade econômica do Sul Catarinense. Desde então, a região reúne algumas das principais empresas do setor, sendo reconhecida como polo cerâmico internacional. Na passagem da década de 1980 para a de 1990, o segmento foi afetado por uma crise financeira, decorrente do cenário político-econômico nacional, que obrigou as empresas a reestruturarem os seus processos produtivos e administrativos. Com a modernização das fábricas e a adoção de novas técnicas de gestão a indústria voltou a crescer. Desse modo, as empresas adentraram a década de 2000 com um posicionamento distinto ao anterior: se antes a preocupação era produzir para atender a grande demanda interna, nessa nova fase, com os níveis de concorrência mais elevados e a demanda interna reduzida, as cerâmicas voltaram o seu foco para a comercialização e a exportação2. Com base no exposto, este artigo teve como objetivo descrever a trajetória da indústria cerâmica de revestimentos do Sul de Santa Catarina. Acrescenta-se que o artigo não teve o intuito de apresentar dados numéricos ou estatísticos referentes ao setor.

2. Indústria Cerâmica Sul Catarinense A indústria de cerâmica para revestimentos do Sul Catarinense é composta por médias e grandes empresas, em sua maioria constituídas por capital privado nacional Cerâmica Industrial, 21 (3) Maio/Junho, 2016

e de origem familiar, que produzem revestimentos cerâmicos de maior valor agregado e qualidade superior se comparados aos concorrentes nacionais3. Essas empresas surgiram das mais variadas formas: da sociedade entre pequenos comerciantes (e.g. Cesaca, Ceusa e Cocal); de pequenas olarias que produziam cerâmica vermelha e passaram a produzir revestimentos cerâmicos (e.g. Vectra, Moliza, Itagres e Gabriella); da acumulação comercial que possibilitou a alguns comerciantes investirem no ramo cerâmico (e.g. Incocesa, Inpisa, Incopiso e Ceramisa); e do desdobramento do setor carbonífero (e.g. Cecrisa e Eldorado)4. A trajetória dessa indústria pode ser dividida em três fases distintas: a primeira, até o fim da década de 1960, retrata o início e a consolidação da indústria, com a abertura das primeiras empresas; a segunda, entre as décadas de 1970 e 1980, marca a expansão da produção voltada para o mercado interno; e a terceira, a partir da década de 1990, traz consigo a crise no setor, a retração da demanda interna, as mudanças tecnológicas e gerenciais e a maior atenção ao atendimento do mercado externo3. Na região Sul C