TEMPO DE

1 anos 1960 perucas surgem no mercado ... década de 1980 revelam moradoras de favelas cariocas que ... contracultura na década de 1970, que levou a uma ...

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A GENTE É MAIS SURFISTA DO QUE SUPÕE

# 141

DIGA

SURF

sim

PRA VIDA CONTINUAR AVISE A SUA FAMÍLIA QUE VOCÊ É DOADOR.

#141 ano XII • set/12 • R$ 11,00

CONTINENTE

TEMPO DE

CINEMA

SEJA UM DOADOR DE ÓRGÃOS. Só assim a Central de Transplantes de Pernambuco pode continuar a salvar vidas. Em 18 anos, foram realizados mais de 10 mil transplantes, graças a pessoas que comunicaram às suas famílias o desejo de serem doadores de órgãos. Mas a fila de espera por novos transplantes não para de crescer. Por isso, comunique. Mais importante do que ser um doador, é dizer.

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SET 12

CENTRAL DE TRANSPLANTES

60 ANOS DO SÃO LUIZ

E MAIS ANTONIO RISÉRIO | SUPER TERRA | BLOW UP DE ANTONIONI | BOTERO | HISTÓRIA DO CABELO | PETER SLOTERDJIK | PARTIDO PIRATA 29/08/2012 11:39:05

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CORPO Repousa aqui tuas madeixas...

1 anos 1960 Perucas surgem no mercado com o conceito de praticidade

Publicação remonta a trajetória dos cortes e penteados, ao longo dos séculos e em diversas culturas, para rever o importante papel social dos pelos que cobrem a cabeça texto Olivia de Souza

“Não passa um dia sem que pense

no cabelo. Se deve cortar muito, pouco, cortar logo, deixar crescer, não cortar mais, raspar, rapar a cabeça para sempre. Não existe uma solução definitiva. Está condenado a lidar, volta e meia, com o assunto. Assim, escravo do cabelo, quem sabe, até bater as botas.” No primeiro parágrafo de História do cabelo (Cosac Naify), o mais recente romance do argentino Alan Pauls, somos apresentados a um personagem cuja vida gira em torno dos fios de sua cabeça. Totalmente obcecado pelo corte perfeito, o homem vaga de salão em salão em infinitas tentativas e divagações sobre os melhores produtos capilares e penteados. As reflexões do personagem, a princípio bastante superficiais, aos poucos revelam os verdadeiros simbolismos por trás dos fios, com estilos vinculados a questões sociais, como o loiro liso representando a burguesia, e o afro como símbolo de rebeldia. Preto, branco, colorido, liso, crespo, cacheado, raspado, trançado, solto, amarrado. Não importa sua disposição, o fato é que eles estão longe de serem ligados unicamente às aparências e vaidades. Considerados a parte do corpo humano que mais passa por mudanças culturais, os cabelos dão um enorme significado à construção da identidade

pessoal, além de oferecer pistas sobre o contexto da sociedade em que vivemos, em diferentes épocas. Em seus primórdios, a espessa cabeleira era utilizada pelos homens como um artifício para se diferenciar de outras espécies. Basta observar a Vênus de Willendorf (25000-20000 a.C.) ou a Vênus de Brassempouy (aproximadamente 23000 a.C.), famosas estatuetas do período paleolítico, e mesmo artefatos arqueológicos: pinças depilatórias e cosméticos como o gel de cabelo, encontrado nos moicanos e topetes das múmias celtas de Clonycavan, na Irlanda, povo que há 2.300 anos utilizava uma mistura de óleo vegetal e resina de pinho para fixar os penteados. Assim como as unhas, cascos, plumas e chifres, cabelos possuem queratina em sua composição, uma proteína insolúvel e extremamente resistente ao tempo, o que faz com que eles continuem a crescer, mesmo após a morte do indivíduo. Essa característica é considerada, por muitas civilizações, um símbolo de ressurreição, tendo feito muitos povos temerem os fios de cabelo separados das pessoas, por acreditarem numa suposta conexão com o sobrenatural. Até os dias de hoje, o costume de guardar mechas de recém-nascidos e de pessoas mortas é reflexo dessa crença.

O entend