Por que ler os clássicos?

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Por que ler os clássicos? Por Ana Lourenço  24 fev 2017, 15h35 - Publicado em 15 abr 2015, 21h41

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No ensino médio, as aulas de Literatura nos obrigam a ler vários livros clássicos, certo? Normalmente de autores brasileiros ou portugueses (alô Machado, alô Eça!). Depois, vem o vestibular e faz a mesma coisa. Para várias pessoas, esse passo a passo da literatura clássica é uma tortura. Eu não vou contradizer quem pensa assim: é complicado mesmo gostar de ler aqueles livros escritos há séculos atrás, com uma linguagem bastante diferente da nossa, descrevendo uma realidade aparentemente muito distante. Por isso, digo uma coisa: os clássicos são muito mal compreendidos. Eles têm um valor incalculável, não só para passar no vestibular, mas para nossa formação como pessoas, e algumas re exões rápidas podem te ajudar a olhá-los de outra forma. A nal, por que ler os clássicos? Por que gostar deles? Aposto que muita gente já se perguntou isso quando estava lendo A cidade e as serras. Mas aprender a apreciá-los é mais fácil do que você imagina. Como eu já contei nesse post aqui, gostar de ler é um treino; já gostar de ler os clássicos é um treino duplo. A linguagem mais complicada pode ser uma barreira, no início, mas com o tempo você vai pegando o jeito e aprendendo a ignorar as expressões muito antiquadas. Garanto que um pouco de insistência nessas obras podem mudar sua vida! 😀

Veja alguns motivos para se apaixonar pelos clássicos: São universais e atemporais O que será que você tem a ver com o enredo de Crime e castigo, de Dostoiévski? Ou com Dom Casmurro, de Machado de Assis? Muito pouco, alguns diriam. Mas eu diria que você tem tudo a ver com esses personagens. A magia do clássico é que ele consegue descrever com muita precisão as pessoas e os sentimentos humanos. Por isso, dizemos que são universais e atemporais, ou seja, independente de quanto tempo você o leia depois que ele foi publicado, a essência da obra continua bastante atual. Os con itos e emoções dos personagens, seja de culpa, amor, tristeza ou ciúmes, os conectam a nós mesmos e nos ajudam até a entender nossos próprios sentimentos. Além disso, os livros que retratam jogos de poder, corrupção política ou mesmo regimes totalitários, como em 1984, de George Orwell, podem abrir a cabeça do leitor para as conexões que esses mundos ctícios têm com o nosso mundo real. Deram origem a grande parte das obras atuais Você já assistiu ao lme O diário de Bridget Jones? Ele foi baseado em um livro, que é baseado em, olha só, Orgulho e preconceito, da Jane Austen, escrito há mais de 200 anos atrás (percebeu a atemporalidade?). Esse é só um exemplo de como os livros clássicos construíram as bases para muitas e muitas das obras que vemos hoje em dia. Como nada se perde, tudo se transforma, a in uência que as grandes obras produziram na cultura contemporânea é gigante. E não falo só de livros atuais: vários lmes adolescentes são adaptações modernas dessas obras. Veja alguns exemplos: 1. 10 coisas que eu odeio em você – inspirado em A megera domada, de Shakespeare; 2. A mentira – baseado em A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorne; 3. As patricinhas de Beverly Hills – baseado em Emma, de Jane Austen; 4. Segundas intenções – baseado em Ligações perig