Leitura

Estados Unidos foi a da série Bookano books, de S. Louis ... jardim oriental e se deparar com uma superfície ... como a Igreja de São João e a Feira de Caruaru ...

BRENO LAPROVITERA

Leitura 1

BRINQUEDO Um livro para montar

Por conta da engenharia do papel, técnica já esboçada no século 13, essa peça de leitura torna-se também atraente objeto de manuseio, sobretudo para crianças TEXTO Priscilla Campos

1 MOB DICK Versão de Sam Ita propõe ao leitor aventuras e surpresas no manuseio 2 SAM ITA O nova-iorquino especializou-se em engenharia do papel, técnica que intuitivamente desenvolveu desde criança

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SHEENA KIN/DIVULGAÇÃO

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Cascas de árvores, fibras de

caules de trigo, extremidades de cânhamo e farrapos de algodão. Tritura tudo, mistura e coloca em cima de um tecido trançado, de preferência, uma rede de pesca. Qual não foi a felicidade do cortesão chinês Cai Lun, no ano 105 d.C., ao finalizar essa receita no seu belo jardim oriental e se deparar com uma superfície lisa, fina, maleável e pronta para ser manuseada por mãos e pincéis. Ali, nascia uma forma mais refinada e definitiva do papel, item

primordial para o desenvolvimento da arte e da cultura em diversos países ao longo dos séculos. Da China para a Alemanha do século 15. O papel se encontra com as letras e a prensa móvel de Gutenberg, formando um trio imbatível para a impressão em massa. Tipografia, projeto gráfico, texto, imagens e, aos poucos, os livros ocupam o posto de importante plataforma bidimensional para disseminação do conhecimento. Porém existem algumas técnicas e informações que parecem ter sido constantemente esquecidas nessa linha histórica do saber. De acordo com o designer britânico Mark Hiner, foi no século 13 que os primeiros livros com elementos interativos começaram a surgir. Escritos à mão, eles possuíam discos com mecanismos rotativos, utilizados para revelar símbolos e palavras ao longo da narração. Essa ideia lúdica, de provocar certa “mágica” bem na frente do leitor, configura o primeiro registro da engenharia do papel, método tridimensional ainda pouco explorado no Brasil e bem-assimilado pela literatura infantil. “Os livros pop-ups, como nós conhecemos hoje, com o papel ‘pulando’ para fora da página, surgiram no final do século 18, na Inglaterra. Esses tipos de livros eram, geralmente, utilizados como manual de instruções, para que os estudantes de arte aprendessem perspectiva. As publicações pop-ups infantis, assim

como a expressão pop-up book são datadas da década de 1920. A primeira aparição desse tipo de produto nos Estados Unidos foi a da série Bookano books, de S. Louis Giraud”, explica o designer e engenheiro do papel Robert Sabuda, um dos nomes atuais mais famosos e conceituados da área. O norte-americano, responsável por construir belos cenários dobráveis para clássicos como A pequena sereia, A bela e a fera, entre outros livros infantis, conta que ficou apaixonado ainda criança pela mecânica do papel. “Quando eu era menino, adorava os pop-ups e, sozinho, dei um jeito de aprender alguns exemplos simples de como fazê-los. Até hoje, não perdi o amor pelo manuseio do papel”, lembra Robert. De acordo com o designer, a arte tridimensional necessária para realizar a técnica está presente desde o início do processo de criação. “Eu nunca desenho o que pretendo fazer em pop-up na segunda dimensão, porque não existe garantia de que aquilo vai funcionar na terceira! Começo a cortar e dobrar o papel para ver quais ideias podem sair interessantes dali. Claro que, na minha cabeça, tenho uma ideia básica de como eu queria que ficasse, mas não posso ter certeza da funcionalidade do projeto, até que ele esteja, de fato, na terceira dimensão”, esclarece. Existem diversas maneiras de aplicar a ilusão tridimensional em livros, desde mecanismos mais elaborados e elegantes até as

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FOTOS: BRENO LAPROVITERA

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3 AVENTURA O clássico Vinte mil