Importância do Carbonato de Cálcio na Fabricação de

plasticidade, composição química e difração de raio-X. As propriedades tecnológicas dos ... tijolos, uma vez que esta substância tem sido comumente utilizada.

Importância do Carbonato de Cálcio na Fabricação de Tijolos José Carlos da Silva Oliveiraa*, Belarmino Barbosa Lirab, Yogendra Prasad Yadavac, Carlos Magno Muniz e Silvaa, Timóteo Weiss Gomes Santosc Departamento de Engenharia de Minas, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Av. Prof. Moraes Rego, Cidade Universitária, CEP 50670-901, Recife, PE, Brasil b Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal da Paraíba – UFPB, João Pessoa, PB, Brasil c Departamento de Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Recife, PE, Brasil *e-mail: [email protected] a

Resumo: O objetivo deste trabalho foi avaliar a importância do carbonato de cálcio na fabricação de tijolos. Para isto, uma massa cerâmica foi coletada de uma empresa fabricante de tijolos localizada no município de Paudalho, no Estado de Pernambuco, Brasil. Um calcário comercial, selecionado como fonte de carbonato de cálcio, foi adicionado à massa cerâmica nas proporções de 0, 5, 10, 15 e 20% em peso. Corpos-de-prova foram fabricados por extrusão, sob a forma de tijolos e barras padronizadas, para a queima nas temperaturas de 600, 700, 800, 900 e 1.000 °C. A massa cerâmica e o calcário foram caracterizados por distribuição de tamanho, plasticidade, composição química e difração de raio-X. As propriedades tecnológicas dos corpos-de-prova foram avaliadas em relação à porosidade aparente e tensão de ruptura à compressão. Os resultados indicaram que o carbonato de cálcio, desde que devidamente controlado, pode servir para reduzir a temperatura de sinterização ou aumentar a resistência à compressão dos tijolos, minimizando, de forma indireta, os efeitos da expansão por umidade. É provável que as interações entre o óxido de cálcio com a sílica e alumina, resultantes da decomposição dos argilominerais, tenham contribuído para essas mudanças, dada a formação de novas fases sólidas cálcicas. Palavras-chave: cerâmica vermelha, calcário, sinterização, tijolos.

1. Introdução O município de Paudalho é considerado como um os principais arranjos produtivos locais (APLs) mínero-cerâmico brasileiro1. Este pólo cerâmico está situado a uma distância aproximada de 50 km da cidade do Recife, no Estado de Pernambuco, Brasil, onde as indústrias locais são grandes produtoras de blocos cerâmicos de vedação, especialmente tijolos. Na indústria cerâmica é comum a adição de diversos materiais ou resíduos para corrigir deficiências da matéria-prima, visando melhorar as especificações do produto final2. Este procedimento é interessante, pois não altera a planta industrial existente. A blendagem de uma massa cerâmica com um calcário (carbonato de cálcio) talvez seja uma alternativa plausível para melhorar as propriedades mecânicas dos tijolos ou mesmo proporcionar uma razoável redução na temperatura de sinterização na fabricação de tijolos, uma vez que esta substância tem sido comumente utilizada como fundente em vários processos industriais. O calcário é uma rocha formada predominantemente por calcita [Ca(CO3)] e, subsidiariamente, por muitos outros minerais, especialmente aragonita [Ca(CO3)], dolomita[CaMg(CO3)2]. A composição química teórica da calcita, principal constituinte do calcário, é Ca(CO3), onde o cálcio é comumente substituído por outros cátions, como ferro, zinco, magnanês, magnésio e estrôncio3. O calcário é uma substância largamente encontrada na natureza e que tem um alto teor de carbonato de cálcio. As indústrias do município de Campos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, tem procurado evitar o uso de carbonatos e resíduos de mármores (calcita e/ou dolomita) como aditivos para as suas massas cerâmicas, pois admitem que os grãos isolados de carbonatos, durante a queima, se transformam em óxidos de cálcio 34

e magnésio e que na presença da umidade podem sofrer hidratação e causar problemas para as peças cerâmicas4. No entanto, em países europeus, como Itália e Espanha, é comum a utilização de argilas carbonatadas, especialmente na fabricação de revestimentos cerâmicos5. De um modo geral, a l