2016

A quem poderia recorrer o governo do Partido dos Trabalhadores, numa hora destas, senão aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil? Quem tem ido às ...

Nota do SINASEFE sobre o PL 257/2016 Por esta nota, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica - SINASEFE, vem a público manifestar seu mais profundo repúdio ao PLP 257/2016, de iniciativa do governo Dilma, que chegou ao Congresso em 22 de março do corrente ano. Aceito esse PL, assistiremos o aprofundamento da capitulação do Estado ao capital financeiro e seus asseclas, com enormes efeitos destrutivos nas políticas e serviços públicos. Pois, entre as medidas ali estipuladas, estão um “ajuste fiscal estrutural” nas contas da União; a entrega das estatais para privatização como garantia da amortização; a elevação da contribuição previdenciária de 11% para 14%, a criação de fundos de pensão (FUNPRESPS estaduais); a reforma do Regime Jurídico Único, implementação de planos de demissão voluntária, redução de 95% para 90% do limite de despesa com pessoal, avanço nas terceirizações, convênios, Organizações Sociais. Etc. Do ponto de vista do salário dos servidores, o texto prevê arrochos em três estágios: 1. Não concessão de aumento real, inclusive do salário mínimo, que ficaria restrito no máximo ao índice oficial de inflação. Assim como a negativa de reajustes ou adequação de remunerações a qualquer título – exceto sentenças judiciais e a revisão anual prevista na Constituição (que já não é cumprida); 2. Suspensão da contratação de pessoal (fim dos concursos); 3. Programas de demissão voluntária (PDVs) Essa iniciativa é uma provocação absurda à classe trabalhadora como um todo e, particularmente ao serviço público. Constitui-se um dos piores ataques desde a era FHC! São os direitos dos trabalhadores utilizados aí como moeda de troca no refinanciamento das dívidas dos Estados e Municípios. Se, por um lado, protelam-se as dívidas dos governantes, por outro, ampliam-se as dívidas sociais do Estado brasileiro com sua gente! Tudo isso numa conjuntura em que vivemos um dos mais graves momentos de nossa história nacional e, sem dúvida, o mais crítico desde o início do processo de redemocratização conservadora, iniciado em 1985. Aliado aos ataques aos direitos dos trabalhadores estão aqueles relacionados aos direitos humanos, numa das mais reacionárias legislaturas que já tivemos a infelicidade de testemunhar. A lista é desafortunadamente grande, e inclui projetos como a redução da maioridade penal, da instituição do Estatuto da Família, da extensão da terceirização às atividades fins, isso sem falar nas contínuas referências elogiosas à época da ditadura militar.

A crise mundial recente da economia capitalista chega a nosso país aprofundando problemas e impasses acumulados, o que tem sido sabiamente utilizado pela direita, interna e externa, que rompeu claramente o “acordo de convivência” estabelecido pelo governo neodesenvolvimentista de conciliação de classes, estabelecido desde 2003. Precipita-se, assim, uma crise também político-institucional, que ameaça estabelecer entre nós a hegemonia dos conglomerados monopolista-financeiros que sustentam os centros dinâmicos da geopolítica imperialista pela subordinação de nossa Constituição Federal aos jogos midiáticos, ao fisiologismo partidário e ao arbítrio dos “justiçamentos”. A quem poderia recorrer o governo do Partido dos Trabalhadores, numa hora destas, senão aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil? Quem tem ido às ruas, em massa, em defesa das liberdades democráticas senão o movimento sindical, as juventudes, os movimentos sociais, artistas, intelectuais, a esquerda socialista, os setores democráticos e progressistas, enfim, a representação organizada de nossa classe? Evidente, pois, o equívoco do governo da presidenta Dilma Rousseff em manter, com o PL 257/216, o círculo vicioso pelo qual sustenta ainda sua gestão, fazendo concessões ao capital à custa do afastamento dos movimentos sociais que a colocaram no poder. É hora desse governo, no mínimo, cumprir a agenda eleitoral e programa governamental que o reelegeu em 2014 e apontar outro futuro para o país do ponto de vista econômico, social e político. Caso contrári